Beijo de boa-noite


















Acordei assustado, como todos os dias. E cansado, e sonhando, e dolorido, como todos os dias. Mas acordei, enfim, porque tenho que fazer isso. Não estou reclamando de acordar, se eu não for específico posso ser mal interpretado. Eu não sou uma pessoa literal. Reclamo de todo esse corriqueirismo indesejável que se instala sem ser convidado. Alguém já percebeu que há coisas demais que simplesmente não convidamos? Enfim, é assim mesmo, e terminamos sempre por tolerar.

Reclamo porque hoje planejei acordar bem, com o sol frio no rosto e o som de brisa entrando pelo quarto; cena consagrada em todo filme de drama. Isso é o tipo de coisa que não se planeja. Quantas coisas que não controlamos supomos poder com elas? E, para variar um pouco, não foi assim. Meus dias não têm sido felizes, têm sido normais. Eis um fato que é bom grifar: normalidade não é o mesmo que ser feliz. É visível que há momentos no meu dia em que realmente sou feliz, mas se contabilizá-los, terei também de contar os tristes. Então medianamente, opto pela normalidade.

Hoje fui questionado: "Cris, você é feliz? - Sim, eu sou. ". Minha felicidade não vêm especificamente do que encontro pelas ruas, nem do que vivo por aí. Me encontro comumente em estado de plenitude, logo, por ser pleno, me sinto bem, me sinto feliz. "Então porque você escreve coisas tão tristes? - Porque o que é bom, eu prefiro guardar em mim. E o que é triste, costuma sair mais facilmente. ". Confesso que depois dessa, me senti egoísta, mas sei que não sou assim. E realmente, tudo que é triste é mais fácil de despejar em palavras, silêncio e vento. É mais fácil de identificar, de compartilhar. Menti em alguma conclusão? Não, e sei que você concorda comigo. Muita coisa é inevitável, sofrer é um sentimento universal.

Toda vez que a felicidade sorri, espalhamos espontaneamente, não precisamos de grandes construções gramaticais, hipérboles e anacolutos para mostrar uma coisa que já está estampada.  Mas a dor não, precisamos escrever ou morrer com ela. E se falo demais sobre a tristeza, me perdoem. Melhor, se escrevo exageradamente sobre ela; escrever é melhor do que falar, é permanente. Me perdoam de novo? Mas sei que temos feridas demais, recebemos tapas demais, piadas demais, foras demais; e cada situação dessa marca mais que um sorriso. E poucas são as vezes que alguém vem ao nosso quarto de noite, nos beija e diz: "Durma bem.". E não, não vai ser hoje que vou finalizar de forma feliz.

9 comentários:

Rodolpho Padovani disse...

É, concordo contigo, a tristeza por pior que seja é fácil de ser despejada, escrita, cantada, falada... e concordo tbm na parte que diz que normalidade não é felicidade, pois muitas vezes nos acostumamos com as coisas que elas se tornam parte da rotina e não da felicidade...

Tem selo pra ti no meu blog...
Abraços =)

Solange disse...

Cris,

Suas tristezas são tão bem traduzidas, que de alguma forma para mim viram felicidades...

ah... e, não vai dar para ser no seu quarto, mas deixo um carinhoso "Durma bem", e um beijo grande !!!!

você me emociona.

olhar disse...

Sabe Cris...as pessoas deveriam mesmo RECONHECER mais as alegrias...
É tão bom falarmos sobre ela também...
Mas escrevermos sobre as tristezas, para mim é algo terapêutico, pois quando faço isto, leio, releio, medito...e quado percebo...a tristeza até acaba indo embora...abrindo até espaço para a alegria voltar e entrar novamente...

Um beijo com muito carinho, e ....DURMA BEM!!!!Bom descanso, bons sonhos e até amanhã!

Bia

Danny disse...

Realmente a coisas tão inconvenientes que temos que tolerar...

E concordo contigo, sofrimento e mais fácil de expor em palavras, e acredito que seja um dos mais simples apesar de não parecer, mas se for parar pra pensar sofremos por "tudo"... sentimentos, já felicidades nunca são plenas...

E já que vai acordar como todos os outros dias... deixo te um: Bom amanhecer...

Beijos na Alma...

>>Dani

Caio Murdock disse...

Olá, venho fazer um convite, para conhecer Derin e Shard - Contos de uma Andarilha, um novo universo fantástico, criado, escrito e ilustrado por Anerol Sevla, com aventura, romance, suspense e mistério. Uma série em capítulos, recentemente publicada no blog LugarDistante, acesse:

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Essa faz parte de um pacote de novidades recentes no LugarDistante: http://lugar-distante.blogspot.com/

Até a próxima!

Nini C . disse...

Acordar é sempre um drama. Esse é o post mais lindo que eu já lí, parabéns! Lindo, lindo...

Stéffani Priscila Rocco. disse...

aah, achei teu blog e ele me chamou a atenção, li e li e não cansei de ler. tu escreve muito bem *-*
Parabéns, to seguindo, beijos.
http://highsecrets.blogspot.com

Fátima disse...

Oi Cristiano,

Bem vindo ao mundo dos humanos (após certa idade, no teu caso expecifico, nessa idade!)com toda nossa gama de sentimentos diários. E exatamente isso, tá certíssimo,

Beijos de boa noite..rs

Mari disse...

Felicidade é algo tão relativo.
As pessoas te olham com normalidade e confundem isso com felicidade. Será que elas já foram felizes? Será que já foram normais? Será que sabem diferenciar o estar do ser?

Muito bom teu blog. Seguindo.

Até.