Cólera

Ando meio vago. Sem reflexões, e isso soa estranho, no mínimo. Se não estou filosófico, resta a temática social. Falta cor, tom, textura, melodia, forma, metáforas e rimas. Então, não quero ensaios hoje. Sem a metade poética, meu senso cívico fica gerenciando as coisas. Em homenagem ao 07 de Setembro que, assim como sempre, ninguém comemorou, tenho algumas pequenas coisas a desabafar:

Ouviram do São Francisco, as margens fúnebres
De um povo sofrido, o brado surdo
E o sereno dos esquecidos em ventos quentes
Pairou pelas terras que você nem sabe onde
Que penhor? ( ri alto ) Desigualdade!
Ninguém presta atenção nos retirantes, é nessa época que eles fogem, sabia? Não, e também não sabemos os quanto roubam da saúde, nem como as filas da providência social são desumanas. Há dor muito pior do que qualquer uma que se possa imaginar. É o esquecimento. Eu não tenho palavras, eles não tem alegria, nós não temos dignidade. Como se o que eu sinto pudesse ser comparado. Enfim, já que a independência (com letra minúscula, sim) foi ontem, lembremos hoje o quanto somos dependentes desses tantos políticos injustos para com quem os elegem. Nos orgulhamos tanto do verde-amarelo-anilado que compõe nosso tão falho patriotismo, que esquecemos que o verde não é tão mais verde assim, o amarelo acabou a tempos e que o azul tem um buraco enorme agora. Ah sim, a ordem ninguém nunca viu, e o progresso é capenga (tudo bem, uma expressão da terra). E o povo nunca deixou de sofrer, nunca, nunca. Pois então, pensemos em como somos fortes e discernientes, e vamos mudar essa porcaria dessa política brasileira. Seja a nível nacional, regional ou até mesmo com a associação de moradores da sua rua ou o síndico do seu prédio. Alguém já entendeu que já está saturado? Se é tempo de eleição, e eles podem falar o quanto de mentira quiserem, vamos exigir o quanto quisermos. Quero transporte público, quero segurança pública, quero educação.
E não, meu voto não custa um sorvete.

6 comentários:

Jυℓyαnα ツ disse...

Sinceramente eu não acredito que os políticos de hoje vão mudar alguma coisa.
Sei que esse pensamento pode ser errado e que com ele não estou ajudando e tals mais acho simplesmente que me decepcionei com a política no Brasil.
Mas mesmo assim não, meu voto não custa um sorvete.[2]




;*

Solange disse...

até quando meio vago você é absoluto !

uau.

fico sem fôlego.

beijos

Laura Ribeiro disse...

É... Para algumas pessoas até mesmo um sorvete é algo caro. Quero dizer que, para algumas pessoas o voto é algo tão sem valor. E são essas mesmas pessoas responsáveis por fazer calar o grito de protesto de outras, assim como esse teu agora.

Concordo plenamente com o que disse. E espero esperançosamente que as pessoas possam algum dia ter a verdadeira consciência de que a única coisa que vale um sorvete (acho que até menos), é essa corja de políticos corruptos que só ocupam lugar no espaço.

Guilherme Augusto Codignolle Souza disse...

Li dois textos por aqui, mas foi este que me fez clicar em seguir. Muito legal mesmo... Texto com presença. Palavras de memoria. Twittei o texto pela qualidade...

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Abraços o/

Fátima disse...

Realista.
Uma critíca social, muito boa.

Beijo meu

Rodolpho Padovani disse...

Apesar de tudo, estamos nas mãos deles, infelizmente... os políticos não mudam, dá pra contar nos dedos os que fizeram pouco pelo nosso país e além de td a população tbm trata política como um descaso, agora vai falar de futebol, ah, aí o patriotismo aparece...

Abraços!