Era para ser glorioso

Eu não quero ter a terrível limitação de viver todo tempo temendo ou não se serei alguém. Até porque, quem eu sou finalmente? O cara do ray-ban de grau que senta na terceira cadeira do lado direito da sala? Já não tenho onde despejar minhas mágoas, voz para cantar minhas músicas ou preces para continuar rezando. Acontece simplesmente assim, acordamos como todos os dias e enquanto escovamos os dentes de frente ao espelho, descobrimos que há uma rachadura enorme na alma da gente. E que possuímos mais problemas do que estamos acostumados a ter e que nosso ego está tão grande que talvez não caiba mais no carro. Algum imbecil escreveu que no final, tudo fica bem. Mas foi provavelmente uma carta de suicídio. Não que eu esteja pensando em atentar contra minha vida, por favor, claro que não! Mas alguém poderia me dizer como vai ser meu final? Ou pelo menos quando tudo vai ficar bem? Ha! Eu duvido que alguém possa responder essas! Eu não estou pedindo pra ter um final feliz, só quero saber se as coisas vão amenizar um pouco, a verdade é essa. Viver pesa demais e todo esforço gradativamente consome-nos a força; e força, eu supunha ter muita. Mas se ando sem saber quem sou, como vou saber se tenho esse tanto de força assim? Além de perdido, ando sem pensar direito agora, talvez o adjetivo correto seja confuso. Papai do céu, talvez essa fosse a hora de me mandar um anjo ou um padrinho-mágico, tanto faz. Eu não tenho tido esperança suficiente? Porém, com toda certeza, tenho sonhado demais. E assim, com estrutura tão abalada, ando me despedaçando em devaneios e literatura; passando meus dias com pobres bom-dias e com poucas boa-noites. Esperando, talvez, que alguém me salve, ou o mais óbvio, que eu me salve. Pois todo aquele que dependeu de alguém, ruiu em tanto esperar. E procurar por si mesmo, é meu jogo favorito.

11 comentários:

Nini C . disse...

Dizem que a gente é o que a gente quer ser.
Muito bom, beijos :)

Malveira disse...

(finalmente achei seu blog) Primeiramente, obrigado pelos seus comentários, são sempre ótimos. Quanto ao seu texto, é corajoso escrever de maneira tão sensível, perigosa e desgastante pra quem escreve. No frigir dos ovos, quase tudo não passa de opinião, por mais que não se queira, e aí a única coisa que tá nas mãos de cada um é como agir e encarar. Muito boa sorte com o seu jogo. até a próxima.

Danny disse...

Se procurar por si mesmo é seu jogo favorito: Então busque as respostas dentro de si mesmo, uma dose de solidão estimula a reflexão. Seja generoso consigo mesmo!


Grande Abraço.

>>Dani

Nini C . disse...

kkk, o engraçado do ser humano é isso, querem dizer o que devemos fazer e nem sabem oq fazer da própria vida. bejus...

Brunno Lopez disse...

Esse jogo é um tanto perigoso mas sempre nos revela mais honestos e sagazes.

Você sabe como colocar a sensibilidade em volume máximo e tenho certeza que logo, logo, muitos olhares estarão passeando pelas suas opiniões aqui.

Rodolpho Padovani disse...

A vida aos poucos ensina a gente a ser quem somos, vivemos querendo nos desvendar diante do espelho, procurando respostas para perguntas que não têm. O importante é aproveitar o agora, não apenas ter um final feliz, mas ser feliz durante o caminho até lá. As confusões ajudam a clarear as coisas e elas não duram pra sempre.

Aproveito para agradecer tua visita, fico feliz que tenha gostado do inicio do conto e te espero por lá mais vezes e sempre que possível passarei por aqui também...

Abraços =)

"Babi" uma vida menos secreta! disse...

É amico meio complicado se questionar assim...Nunca saberemos ao certo quem somos 100%.
Mas como dizia o Che Guevara(- "Há que endurecer-se, mas sem jamais perder a ternura.")
besos!!!!

A Escafandrista disse...

então, a tal da rachadura na alma é comum a todos nós, mas acho que uma hora ela se ajeita =) lindo final, acho incrivel tua habilidade de escrever em prosa, não tenho tanto assim. Obrigada pela visita ao escafandro e a citação de machado de assis.

Fátima disse...

Cristiano

No meu relógio adiantado ao teu, em muitos anos eu diria que o único ingrediente que encontrei que me trouxe real conforto, independente das causa das rachuduras, foi a fé, não me refiro a fé de religiões, mas aquela que sentimos em todo nosso ser.

Belo e corajoso, como sempre, texto.

Beijo meu

Camilla Loureiro disse...

Ando me sentindo como teu ultimo post, espelhos, devaneios, esperanças e rachaduras, o ego está me ensinando coisas terriveis, que seria pior até se ele não existisse.

Meu post hj do café foi em tua homenagem...bjos

Marcio Nicolau disse...

òbvio ululante: você deve se salvar.

Parabéns pelo blog Cristiano. Nem sei mais como vim parar aqui, mas gostei.
Sigo você e convido a conhecer o meu espaço:

www.espacointertextual.blogspot.com