Se morremos de pouco em pouco, antes eu prefiro ter vivido

Engraçado não? Abra sua mão e veja na sua palma cada marca. É, você já passou por isso. Aquela prova terrível. Pela aquela fugida de casa. E aquela enrascada no meio da noite. Cada coisa dessa foi registrada. Literamente, nossa vida se marca em nós. Eu tenho uma cicatriz no tornozelo, quatro na barriga e meu pulso já se quebrou três vezes. E sabe de uma coisa? Eu acho isso muito pouco. Todo dia eu vivo um pouco, e morro mais um pouco; a lei é essa. Mas do jeito que eu vivo, morrer de pouco em pouco não é uma coisa lamentosa. Ah, eu quero o vento no rosto e o sol queimando meus ombros. Lambida de cachorro, pipoca super amanteigada e pisar no chão descalço! Cair doente e alguém me fazer dar aquela risada que sai do fundo da alma. Eu quero o último gole da vigésima primeira garrafa. Eu quero me alucinar com meus amigos. Adulto de noite, criança de dia. Andar pelo centro da cidade, passar um dia enfurnado na cama e por vezes pegar o ônibus errado. Contar estrelas e histórias, me acabar em uma barra de chocolate, beijar até que o corpo fique suado. Cheiro de brigadeiro caminhando na sala, inventar de fazer malas e viajar para qualquer canto. E tem meus livros, como também as flores, e meus amores e meus amigos. Bem, isso me faz ser feliz. E se é pra morrer, primeiro eu quero ter vivido. Afinal, a graça não é essa?

2 comentários:

Fátima disse...

Amo esse brilho nos olhos, que só tua idade permite, falo com segurança, pois um dia tive ela.

Beijos menino bonito
Amei essa música do Beirut.
Grata pelas visitas.

Sigamos...

Izabela disse...

veeei, me arrepiei! ta lindo criis