Cegamente


















Foto: © Cesarr Terrio




Decidi uma coisa na vida: não vou mais desistir de coisa alguma. Ao menos, espero que não. Não é novidade que eu ando confuso sobre mais da metade das coisas que sinto. Mas isso não é desculpa para seguir mentindo ou implorando por compaixão. O que acontece em mim, ninguém precisa saber. Conto pelo simples simples fato de creditar que um sentimento compartilhado pesa menos do que ter que carregá-lo sozinho. Afinal, todos amam, desesperam-se, têm medo e têm frio. Pode ser arrogância minha em achar que tenho sentimentos universais, mas eu acho que sim. Não é possível que a gente tenha de enfrentar essa vida sozinhos. Não, não é possível, e também não é justo. E se for, se tiver de ser assim, no seco, no grosso, no 'faça essa porra sozinho', vou continuar falando e falando e falando, porque falo o que acredito. Poucas vezes me atrevi a mentir sobre o que sinto. Mentir não, não é correto nomear assim. Posso ter sido exagerado, posso ter valido-me de eufemismos, posso ter sido omisso. Mas mentir? Não, Eu não minto para mim, você faz isso? Estou sinceramente convicto de minhas causas. Meus rumos, não sei. Vou seguir tentando, me deixa ir. Me deixa ir, por favor. Não por compaixão, mas me deixa ir. Se poeticamente sou tão livre a ponto de não ser obrigado a fazer próclises, porque não posso ser diariamente assim? Planejo e vem alguma coisa, pega meus papéis e rasga. Na melhor das hipóteses faz barquinho, mas deixa afundar. Fundo, o desespero é bem fundo. Afogar-se é tão fácil. Ando, então, munido de minha integridade como colete-salva vidas. Eu sei quem eu sou. Se você também se conhece, vamos comigo. Não pergunte para onde. Em algum lugar a gente chega. Se você desistir, tudo bem, eu te entendo. Mas quem persiste chega em bons lugares. Não é novidade que não sei de muitas coisas, e que vou continuar me desculpando por muita coisa. Vou fazer o que tenho que fazer. Vou fazer bem feito e vou fazer agora. Quanto ao que sinto? Desculpe, isso não importa.


8 comentários:

Nini C . disse...

Também já cheguei a decidir isso, e éh uma decisão dificil pra quem sempre desiste de tudo, bem no meio ou no inicio de qualquer coisa que seja, bom, eu estava assim. E quanto ao que a gente sente, sempre importa e a gente sempre acha que não. Adorei o texto.

Mila disse...

Belo seu texto e muito bem descrito...
Mila

Jυℓyαnα ツ disse...

Tomei essa decisão a algum tempo atrás e tem surtido bons efeitos para mim.
Espero que seguir sempre em frente e não desistir te faça bem também ^.^

Queria te dizer que amanhã, dia 25 de outubro, vou postar o primeiro capítulo de uma história minha *---*
Ficaria muito feliz se você me desse sua opinião *----*²



;*

A Escafandrista disse...

Oi, Cris. Tão bom ler teus textos, concordo contigo que sentimentos compartilhados pesam menos, e depois vemos que nunca estamos sozinhos, sempre há alguém que sente o mesmo, mas acho que a diferença está no que cada pessoa faz com seus sentimentos... excelentes reflexões, sempre. Desculpe perguntar, cris, qtos anos tens? parece-me tão novinho pela fotografia, mas a tua escrita... altivez e ousadia são as palavras que me vêm à mente quando penso nos teus escritos.. abraços e boa semana pra ti.

Pontos de Ligação disse...

É, eu também tomei essa decisão. E tenho seguido, assim como você sem saber ao certo pra onde ir, mas sei que chegarei a algum lugar...
Quer me fazer companhia na caminhada? Realmente não é justo que sigamos sós...
Amei o texto, querido! Já disse que sou sua fã?

Letícia

Rodolpho Padovani disse...

Ah, vou confessar que já tentei mentir para mim mesmo, enquanto fingia acreditar, mas eu sempre sabia da verdade. Há coisas que são só nossas, há outras que precisam ser compartilhadas, mas o mais difícil é decidir qual é qual.

Abraços!

Palavras Eternizadas em pingos de Luz! disse...

---É fabuloso seu blog...
Estou seguindo este conteúdo incrivel!


Um abraço do rafah!
http://eternizadoempalavras.blogspot.com/

Sarah Mendes disse...

Transbordar palavras é uma forma de esvair-se em parte dos sentimentos que sufocam, que não cabem mais em nós ou simplesmente precisam de uma porta pela qual sair. Agarre-se a primeira brisa, a deixe ganhar força, virar vento e te levar. A melhor viagem é a sem destino, sem ponto de chegada. É leve, faz flutuar. Deixe-se levar.

PS: primeira vez que sinto suas palavras e adorei ler-te em cada linha. Sinto como se cada palavra sua fosse minha, como se carregasse agora um pouco do seu sentir. É mágico e raro saber tocar a alma de quem te ler e você o faz com facilidade que encanta. Maravilhoso blog.