Sozinho














 Foto: © Cesarr Terrio



Às vezes eu me sinto a menor pessoa do mundo. Tão paisagem, que talvez não seja necessário que as pessoas me percebam ali sorrindo. E não importa como esteja meu cabelo, o que eu esteja vestindo, meu jeito de andar, falar, viver. Tem horas que eu não existo. E o silêncio passa a ser, graciosamente, a única criatura que me entende. Nem os pássaros, nem meu cachorro ou os insetos que vez ou outra passam aqui no quintal compreendem; mas não preciso que ninguém me compreenda. É nessas horas que eu sento, com as mão cheias de pesares, e começo a avaliar como está o dia e como estão todas as coisas. Penso no passado, porque a gente nunca esquece o passado. E penso no futuro, no daqui pra frente, no que há de vir e no que não. Há sempre a possibilidade do não, preocupo-me com ele. E continuo pensando, pensando, pensando. Ressuscitando pensamentos velhos e enterrando novos. Sou cruel com eles, gosto somente dos possíveis. E alguns impossíveis que me enchem os olhos. Então eu levo a mão ao peito, e tenho a prova definitiva de que sou mais uma existência, e que não faz mal sonhar. Adoro aquele 'tum-tum' que a gente faz. Pois costumo acreditar que é esse o barulhinho do amor se debatendo no peito. Então eu percebo, que não preciso nem de pássaros, nem de insetos, nem de meu cachorro para me sentir completo. Há amor aqui, eu sinto. E respiro fundo, bem fundo; para depois expirar as dúvidas da alma.

5 comentários:

Rodolpho Padovani disse...

E um texto desses era o que eu precisava ultimamente para ver que não sou "sozinho" sozinho. Basta que eu me entenda e eu me enxergue, sei que passo despercebido muitas vezes, mas isso não importa, o silêncio é uma boa companhia, de vez em quando.

Mais uma maravilha de reflexão por aqui.

Abraços!

A Escafandrista disse...

e esse é o milagre da existencia, que precede a própria essência. bjsssss cris!!!

Carolyne Mota disse...

Precisava ler um texto assim. Gosto da solidão, mas as vezes me sinto desconfortável até comigo mesma. Mas não tem nada melhor do que parar e reavaliar nós mesmos, é preciso as vezes.
Sempre me surpreendo quando venho aqui, por isso gosto tanto daqui.


Abraços!

Leonardo Filizolla disse...

Saber estar só é uma arte e nenhuma companhia nos entende tão bem quanto a nossa.
Solidão é a condição humana, cultive-a.


Adoro isso aqui!

tatiane cerqueira disse...
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