Teste de fé *



















©Irisz Agócs



A gente deve continuar com fé sempre. E quando, e talvez, e se, e toda vez que houver aquele apertozinho no peito, seja lá que advérbio for. Quando falo fé, não é necessariamente aquela vinculada a religiões, ou até seja: falo daquela certeza quente que a gente tem sobre algumas coisas sem saber o porquê. Fé a gente não sabe de onde vem, é o tipo de coisa que tem ou não tem, e se se esforçar, consegue. É importante ter fé, ao menos eu sinto com todas as minhas forças. É fé que faz a gente ser persistente. Consegue ver o quão importante é? Há sempre duas escolhas em qualquer situação: persistir e desistir, agüentar e fraquejar, suportar ou abrir mão mesmo. Sempre assim. Persistir dessa forma, persistir daquela forma ou desistir. E tem horas que é difícil de verdade: a vida tem vezes que dá de chicotada, que faz a gente chorar de dor, que dá vontade de gritar para parar. É sempre a escolha de você estar afim ou não de tomar na cara. Divergem, nesses momentos, os que têm convicção de suas causas: os que têm fé ou não. Quando ninguém nos conta isso, tendemos a aprender da pior maneira. Depois que aprendi, passei a observar melhor as pessoas. Todos desistimos fácil demais do que amamos. Desistimos na primeira queda, desistimos antes mesmo da primeira tentativa, abortamos idéias ainda nem concebidas, abortamos sonhos ainda na cama. E a vida vai seguindo, inflexível, contabilizando essa nossa ruma de renúncias. Não é mérito. Se no final formos justos com nós mesmos, quando nos perguntarem o que fizemos na vida, responderemos: “fracassamos mais que tudo!”. Eu ando treinando esse não desistir. A pele sabe como engrossar, nossa alma também. Então é necessário tomar mesmo, ir suportando essas chicotadas e os dias cinza-chumbo-deseperadores; e é necessário paciência, e é necessário coragem, e é necessário não ter medo. Essas palavras todas lindas, que a gente nunca compreende de fato, nem mesmo quando olha no dicionário, mas que sempre sabe quando está sentindo. A vida também é assim, incompreensível mesmo, disforme, às vezes cinza-chumbo, às vezes amarelo-dourado. Até a vida requer prática, nós precisamos apreender a manuseá-la bem. Porque é nossa vida. De mais ninguém. E eu acredito sim, que tudo na vida além mesmo da própria vida e além de uma questão de tomar decisões entre abrir mão ou não, tudo é uma questão de treino: treinar dizer não quando não puder, treinar dizer sim quando puder, treinar até o modo como haveremos de enxugar cada lágrima; treinar como sorrir e como até que ponto acreditar nas coisas. Praticar é ter paciência, praticar é não desistir; praticar também é decisão. E como disse alguém que não lembro o nome: todo esforço é exercício, de crescer, exercício de grandiosidade. E por favor, lembrem-se que grandiosidade pouco tem a ver com tamanho, grandiosidade é puramente ser cheio de esperança.
E esperança, é tudo isso.


"Eu não tenho muitas respostas. O que eu tenho é Fé.
E uma vontade bonita, toda minha, de crescer."
(Ana Jácomo)

 

Para 'Teste de fé', venha por aqui.

Publicado no Jornal InformAção em 11/04/2011.

4 comentários:

» Cynthia Brito! disse...

Ah, gostei. Concordo contigo, quando temos fé, suportamos as coisas muito mais leves. Sabe, uma leveza profunda... uma leveza na alma.

beijos

Ana Stiehl disse...

As fés mais lindas e importantes do mundo são a fé em nós mesmos, na humanidade e na ciência. Parabéns pelo blog! =)

http://anastiehl.blogspot.com/

A Escafandrista disse...

oi, querido. sempre uma alegria vir aqui, ouvir as músicas que escolhes, as palavras que escreves.. tudo aqui é uma delícia! bjs.

Emoções disse...

Os poetas não mentem
Suas verdades inventadas
São provenientes das dores
Que só os poetas sentem.